HISTÓRICO DE DANÇAS



Ritmos envolventes na terra do carimbó
Trajes coloridos, sons fortes de instrumentos de percussão e muita expressividade corporal traduzem sonora e visualmente a herança folclórica paraense.
Uma das principais manifestações folclóricas é o carimbó. A mais popular de todas as danças paraense, traduz e simplifica o mesclado de raças que compõem a origem do Pará: negros, portugueses e índios.
Outras danças também completam o rico universo folclórico paraense, como o lundu, o siriá e o batuque amazônico.
Venha conhecer e ouvir os ritmos envolventes do Pará!

DANÇAS:
                       Batuque Amazônico
O batuque é de origem Africana. Foi implantado na amazônia na era colonial. Batuque era a denominação geral dada pelos portugueses para toda e qualquer dança de negros da África, ou qualquer dança de tambor, de caráter religioso ou não. No Pará e no Amazonas é a denominação comum para os cultos afro-brasileiros.
O batuque amazônico é uma homenagem para a cabocla Jurema, uma entidade encantada da umbanda que vive no fundo de uma lagoa. Segundo a lenda, a cabocla reina no período da lua nova.
A dança começa com a cabocla Jurema sendo invocada pelos dançarinos, que pedem proteção dela para a Amazônia, região intimamente ligada à entidade por causa da abundância do elemento água.

                                 Carimbó
O nome vem dos índios Tupinambá - CURI (PAU OCO) e M`BÓ (FURADO). Na tradução seria "pau que propaga o som". A influência africana deixou o ritmo do carimbó mais agitado e alegre. A roupa é simples: as mulheres usam saia rodada estampada, blusa de cambraia branca, colares coloridos e uma flor no cabelo. Os homens, calça curta de pescador e camisa estampada. Os dançarinos bailam descalços. Marapanim e Vigia são os municípios mais antigos na execução desta dança.
O ato - A coreografia começa com o homem batendo palmas para a mulher. É o convite para a dança. O grupo forma uma roda. As dançarinas fazem movimento circular com a saia. A intenção é atirar a saia sobre a cabeça de seu par. O papel do homem é evitar que ela consiga. A vitória, dela, seria a desmoralização do homem, que seria obrigado a se retirar do local da dança. A parte mais importante em uma roda de carimbó é a marcação coreográfica de um dos pés sempre à frente do corpo.
Um ponto alto da dança é o momento em que um casal vai para o meio da roda, onde fazem a dança do peru, nessa hora o cavalheiro é forçado a apanhar com a boca um lenço que a parceira estende no chão. Se conseguir pegar o lenço, o homem é aplaudido. Caso contrário, a mulher atira-lhe a barra da saia no rosto e o cavalheiro é forçado a abandonar a dança.

                           Dança da Angola
Em Belém, no bairro do Umarizal, existia um entreposto de escravos de onde eles eram distribuídos para vários pontos do Estado. A dança da Angola, ou das pretinhas de Angola, é de origem africana e foi trazida pelos escravos que se estabeleceram nas proximidades do rio Tapajós, mais precisamente em Santarém que, juntamente com o Marajó, se transformou num dos principais locais de difusão da dança.
É dançada exclusivamente por mulheres, em pares. O movimento da dança baseia-se nos versos cantados pelos músicos. O ritmo e a coreografia referem-se aos trabalhos realizados pelos negros, suas alegrias e suas mágoas.

                           Dança das Taieiras
 É uma dança estritamente feminina, cultivada no ritual afro-brasileiro. Seria uma variante das congadas do sul do Brasil. Tem uma característica de devoção. É uma espécie de folguedo, dançada em louvor de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. É o chamado “CACUMBI” ou “TUCUMBI” do Folclore Catarinense.
Cultivada em vários pontos do Brasil com o nome de taieiras. No Pará, é praticada principalmente nas regiões onde se instalaram os negros escravos, com mais freqüência em Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó. Por seu ritmo de samba chulado, recebeu a denominação de Chula Marajoara e pode ser denominada também de dança das Talheiras, pois as escravas carregavam água do rio em talhas para seus senhores.

                            Lundu Marajoara
De origem africana, foi registrada inicialmente na ilha do Marajó. É a mais sensual dança folclórica paraense. O tema está centrado no convite do homem à mulher para um encontro sexual. A dança desenvolve-se, a princípio, com a recusa da mulher, mas diante da insistência do companheiro ela termina por ceder. O "ato sexual" acontece quando o casais realiza a UMBIGADA - movimentos sensuais de requebro.
A movimentação coreográfica é tão plena de sensualidade que, na época do Brasil Império, a Corte e o Vaticano proibiram que fosse dançada. Com o tempo, o decreto caiu no esquecimento e o Lundu voltou a ser praticado, mantendo sua principal característica: a sensualidade.
A dança é acompanhada por instrumentos como rabeca, clarinete, reco-reco, ganzá, maracá, banjo e cavaquinho. As mulheres normalmente se vestem com saias longas e coloridas, blusas curtas com rendado branco. Já os homens vestem-se com calças largas, geralmente brancas, com as bainhas enroladas.

                                                   Maçarico
O Maçarico, ave pernalta e arisca, inspirou a dança originária de Cametá. O pássaro habita as margens dos rios paraenses e amazonenses. O movimento coreográfico imita o saltitar acelerado da ave. Há também alguns passos próprios das danças portuguesas.
A dança do maçarico é desenvolvida em pares, com velocidade acelerada.

                                                Marambiré
Surgiu depois da abolição da escravatura e simboliza a esperança dos negros na constituição de uma sociedade livre e justa. De acordo com pesquisas, a dança evoluiu dos cantos de outras manifestações populares de caráter religioso na área do Baixo Amazonas, precisamente em Alter-do-Chão, Santarém.
O Marambiré dançado em Alter-do-Chão mistura elementos religiosos e profanos. O bailado constitui-se numa simples marcha. A coreografia é meio complicada, dançada em pares com ritmo bem marcado. O Marambiré é sempre apresentado no festival do Çairé.

                                                  Marujada
Três apresentações marcam a Marujada: a primeira no dia de Natal, a segunda no dia de São Benedito – 26 de dezembro. E a terceira acontece no dia 1º de janeiro. A festa tem a mesma origem que a irmandade de São Benedito: em 1798, quando os senhores atenderam ao pedido dos escravos para a organização da irmandade. Nessa época, foi realizada a primeira festa em louvor ao santo. A manifestação foi mantida e incorporou-se ao lado profano da festa.
A festividade acontece no município de Bragança. Lá, homens "marujos" e mulheres "marujas" percorrem a cidade imitando o balanço de um barco na água. A dança é comandada pelas mulheres e acompanhada musicalmente pelos homens, que usam violas, rabecas, violinos, tambores e cavaquinhos. A Marujada de Bragança é dividida em várias danças, como: Contra Dança, Retumbão, Mazurca, Valsa, Xote Bragantino, Chorado e Roda.

                                                   Obaluaiê
A dança, dos cultos de candomblé, surgiu na região Norte na era colonial. A coreografia homenageia Obaluaiê. Segundo a cultura afro, o orixá rege o mundo dos mortos, as doenças de pele. A entidade tem o corpo cheio de chagas, por isso as vestes, feitas de palha, cobrem todo o corpo.
A dança inicia com uma invocação ao orixá que, no sincretismo religioso, é São Lázaro ou São Roque. Depois, o canto é entoado pelo coro, seguindo-se outros temas que invocam a proteção para Obaluaiê.

                                                 Retumbão
A festividade em devoção a São Benedito, em Bragança, deu origem à Marujada, e com ela a mais conhecida e importante dança folclórica da Marujada, o Retumbão.
O Retumbão pode ser considerado a dança favorita dos integrantes da Marujada de Bragança. O ritmo seria uma variação do Lundu. Quanto à coreografia, nada tem de semelhante. O ritmo e a forma como é dançado dão-lhe uma característica própria e um isolamento que não permitiu acréscimos de outros ritmos. Tem origem comum à fundação da irmandade da marujada de Bragança, em 1978.
A dança recebeu o nome de Retumbão devido ao entusiasmo dos próprios portugueses que, ao ouvirem de longe o ritmo e a linha melódica, diziam que tudo “retumbava”, elogiando a execução.
A orquestra da dança do retumbão é composta de tambores grandes e pequenos pandeiros, cuíca (onça), rabeca, viola, cavaquinho e violino. Não há canto no retumbão.

                           Samba do Cacete
O Samba do Cacete surgiu no município de Cametá. Esta dança foi criada para mostrar toda a sensualidade da região. O nome se origina do instrumento que é usado para dar ritmo e marcação à música: os cacetes, dois pedaços de pau que são batidos no Curimbó, para dar cadência ao ritmo.

                                                     Siriá
Originária de Cametá, a dança expressa gratidão dos índios e escravos africanos por um milagre. Depois de um dia exaustivo de trabalho, os escravos eram liberados, sob fiscalização, para conseguir algo para comer. Certo dia, foram à praia e encontraram grandes quantidades de siris que se deixavam apanhar facilmente. Em agradecimento, ensaiaram uma dança e deram o nome de SIRIÁ, que narra o fato.
O siriá é uma variação do batuque africano, mas ao longo dos tempos sofreu algumas pequenas alterações. A coreografia traz como principal característica o ritmo lento, no início, que torna-se frenético em seguida. A dança obedece a uma coreografia que evolui ao ritmo dos versos cantados. No refrão, os pares fazem volteios com o corpo curvado para o lado esquerdo e para o lado direito.
O nome Siriá surgiu por distorção lingüística. A influência racial até hoje, em alguns lugares da Amazônia, é refletida na pronuncia de determinadas palavras. Um exemplo está na terminação de alguns nomes: "cafezal" chamam de "CAFEZÁ", "milharal" chamam de "MILHARÁ". A abundância de siris foi batizada de "SIRIÁ".
O siriá possui um vestuário parecido com o do carimbó. As mulheres usam blusas de renda branca, saias rodadas, pulseiras, colares e enfeites coloridos na cabeça. Os homens vestem calças em tons escuros e camisas coloridas amarradas na frente. Eles também usam chapéus de palha enfeitados com flores, que as damas retiram para demonstrar alegria.

                                           Xote Bragantino
O xote é dança de origem húngara e foi trazido para Bragança pela aristocracia da época, ganhando no local novos manejos coreográficos tipicamente regionais. Conquistou peculiaridade e fama pelo jeito bragantino de ser dançado.
Adelermo Matos, no livro “Música na Mata”, escreveu que o xote bragantino é a transformação de uma antiga dança chamada “escocesa”, também conhecida como “valsa escocesa”, e fez muito sucesso por volta do ano de 1830. Foi introduzida na marujada de Bragança como manifestação e louvor, atendendo aos pedidos dos senhores locais.
 


CARIMBÓ 

A dança mais conhecida de nossa região, originada da mistura de três raças : Os Índios, Os escravos e os Imigrantes Europeus, mais precisamente os portugueses. A dança do carimbó foi originada na ilha do Marajó, em alguns municípios como Marapanin, Cametá, Ponta de Pedras. O ritmo acentuado e envolvente do Carimbó adveio das danças indígenas, porém, teve uma leve mudança quando houve o contato com os ritmos mais agitados, de andamentos rápidos e movimentados dos escravos africanos. O nome Carimbó é de origem Tupi Guarani , seu nome se deve principalmente aos principais instrumentos usados para dar ritmo e marcação à dança : o "CURIMBÓ". O nome Curimbó é formado por duas palavras da lingua Tupi, (curi = pau ôco) e (m'bó = escavado), assim, "o pau que conduz som", e do CURIMBÓ denominou-se CARIMBÓ a dança desenvolvida pelo ritmo oferecido. A coreografia da dança inicia-se com fileiras de casais, onde os homens aproximam-se das mulheres e batem palmas de modo a convida-las para a dança. Elas aceitam o convite e iniciam um movimento circular, formando ao mesmo tempo, uma grande roda, e fazendo movimentos com a saia, com o único intuito de atira-la sobre a cabeça de seu par. O homem dança o tempo todo, tentando se livrar da saia da mulher, pois se ela conseguir tal façanha, é a desmoralização total para ele, onde então é vaiado pelos companheiros. Depois de muitos volteios, a mulher atira um lenço no chão e o homem é obrigado a apanhar esse lenço usando apenas a boca, mais conhecida como a dança do Peru do Atalaia. Trata-se de um autêntico teste de equilíbrio. Se o homem conseguir, é aplaudido, caso contrário, novamente é vaiado é posto para fora da dança. A parte mais importante da dança é a marcação coreográfica de um dos pés sempre à frente do corpo. 

 BANGUÊ 

O BANGUÊ ou DANÇA dos ENGENHOS, teve origem após a abolição da escravatura, através dos descendentes de escravos africanos,que habitavam a ilha do Marajó, no município de Cametá, onde formaram um quilombo para a proteção dos negros fugitivos, que conseguiam escapar do domínio Português, dos trabalhos forçados e da vida de amargura e sofrimentos. Nenhum negro aceitava qualquer aproximação com os brancos, mesmo de interesse puramente comercial, sendo o comercio realizado no meio dos rios, através de pequenas embarcações. As apresentações das manifestações artísticas, eram realizadas no Banguê (Engenho de Açucar no dialeto Africano), deixando os brancos maravilhados.Nas explicações dadas, os movimentos exagerados, se devem à imitação das ondulações feitas pela espuma do tacho (caldeirão), onde se preparava o mel de cana.

DANÇA DO MAÇARICO 

De acordo com o professor Aderlemos Mattos, a dança do Maçarico, é originária de Cametá, tem como figura central esta ave pernalta, pássaro arisco e assustadiço, cujo andar é aceleradíssimo, sendo encontrado em quase todos os rios do Pará e do Amazonas, principalmente naqueles onde há praias. O movimento coreógrafo lembra, em vários sentidos, o alegre saltitar e correr da ave e também alguns passos próprios das danças portuguesas. 

PRETINHA DA ANGOLA 

A Dança da Angola ou dança das pretinhas de Angola é de origem africana, sendo trazidas pelos os escravos de Angola, que se estabeleceram nas proximidades do Rio Tapajós, mais precisamente no município de Santarém. Essa dança foi muito cultivada, até o inicio do século passado, quando as escravas africanas e suas descendentes reuniam-se na praça matriz, em frente à igreja, para a interpretação dessa belíssima manifestação coreográfica. De um modo geral, a formação para a dança é de círculo. È exclusivamente dançada por mulheres e não há, de certo modo, número limitado de participantes, embora seja necessário manter números pares por causa dos movimentos gerais. Todo o desenvolvimento da dança baseia-se nos próprios versos que vão sendo cantados pelos músicos, pois toda a dança não só o ritmo, mas, também, na parte coreográfica é referente aos trabalhos realizados pelos negros, sobre suas mágoas como escravos. Por isso, os gestos acompanham exatamente a música que está sendo cantada. 

SAMBA DE CACETE 

O Samba do Cacete surgiu no município de Cametá. Esta dança foi criada para mostrar toda a sensualidade da região, no nome se origina devido ao Instrumento que é usado para dar ritmo e marcação à música, os cacetes, que são dois pedaços de pau que são batidos no Curimbó, como forma de dar cadência ao ritmo.
  
DANÇA DO SIRIÁ 

O Siriá é uma dança originária de Cametá. É considerada uma expressão impetuosa de amor, de sedução e de gratidão ante um acontecimento que, para os índios, escravizados pelos portugueses, foi algo sobrenatural, um milagre. Os escravos, após um dia exaustivo de trabalho e mau tratos, eram finalmente liberados, sempre à tardinha, sob fiscalização para caçarem, pescarem ou saírem à procura de frutos que lhe matassem a fome. Certa vez, foram a uma praia na tentativa de encontrarem peixes e extasiaram-se com a indescritível quantidades de siris por sobre a areia. O mais estranho e maravilhoso é que aqueles crustáceos não ofereciam a menor resistência ao serem apanhados. E assim aconteceu durante muito tempo. Então, dominados por um imenso sentimento de gratidão por seus protetores, em curto período, ensaiaram os movimentos da nova dança a que batizaram de Siriá. O nome Siriá, surgiu devido a grande influencia do sotaque (distorção linguística) dos caboclos e escravos da região. Normalmente, os interioranos não usam a correta pronuncia de certas palavras, e aqui não foi diferente. Um dos exemplos é com relação ao final de nomes de plantações : "cafezal" chamam de "CAFEZÁ", "milharal" chamam de "MILHARÁ", "canavial" chamam de "CANAVIÁ" e aquele misterioso acontecimento onde eles saciaram sua fome com grande quantidade de Siris denominaram de "SIRIÁ"

VAQUEIRO DO MARAJÓ 

A Dança dos Vaqueiros do Marajó, foi criada, a principio, para uma coreografia do professor Adelermo Mattos, utilizando uma música das vaquejadas do Rio Grande do Sul, através de observações dos movimentos corporais dos vaqueiros, na tentativa de laçar o boi, onde os movimentos realizavam um verdadeiro malabarismo para conseguir o feito, tanto no seu dia-a-dia quanto nos dias festivos da exposição pecuária em Soure, na Ilha do Marajó. Mais tarde, com o surgimento do Grupo Parafoclórico "Asa Branca" (Icoaraci-PA), a professora Etelvina Cordeiro, inspirando-se no "aboio" do Vaqueiro, bem como nos movimentos desenvolvidos pelo caboclo marajoara nos campos e durante as feiras pecuárias, compôs um poema retratando o dia-a-dia do nosso vaqueiro. Como nas festas de exposição pecuária na Ilha do Marajó somente os homens participavam dos torneiros, a presença das mulheres também foi excluída dessa dança, onde não há coreografia definida. O que a caracteriza são os sons produzidos pelos tamancos de madeira usados pelos dançarinos e os movimentos com o laço, como se fossem laçar um boi. É uma dança de belíssimo visual e que empolga a todos.

XOTE BRAGANTINO 

Dança de raiz européia originada do Schotinch, a mais famosa dança folclórica da Escócia, a qual foi divulgada em toda a Europa, em torno de 1841. Os colonizadores trouxeram a dança para o Brasil onde despertou um grande interesse na população. Mas aqui a dança ganhou alguns acréscimos. No Pará, a dança foi trazida pelos portugueses, que a cultivavam assiduamente em todas as reuniões festivas. De longe, os escravos assistiam os movimentos e guardavam na memória. Em 1798 quando em Bragança, os escravos fundaram a Irmandade de São Benedito, a Marujada, o Xote foi magnificamente aproveitado pelos escravos, tornando-se a mais representativa dança do povo Bragantino. Nas festas populares o Xote é executado inúmeras vezes

MARAMBIRÉ 
 Dança africana que surgiu após a libertação dos escravos. Segundo pesquisas, ela teria evoluído dos cantos de cangadas e insulados na área do Baixo Amazonas que se pontificou em Alter-do-Chão, distrito de Santarém. O Marambiré dançado em Alter-do-Chão não representa uma dança tipicamente religiosa e sim uma mistura de elementos religiosos e profanos. A dança do Marambiré constitui-se numa simples marcha. A coreografia é meio complicada, o ritmo é alegre e excitante. Dança de pares com ritmo bem marcado, apresentada na festividade do Sairé.

CIRANDA DO NORTE 

A Ciranda é de origem portuguesa, tendo uma forma complexa e outra simples. Dançada nos limites do Pará com o Amazonas, mais precisamente na cidade de Tefé (AM). Em forma de cordão de pássaro, onde á frente eles levam o "carão" (pássaro) que está presente à letra da música. É dançada durante o mês de junho nas ruas onde são feitas pequenas paradas em frente a algumas casas a pedido do dono da casa. Na dança folclórica Ciranda do Norte, em sua concepção, nota-se uma variação de passos com diversificação rítmica (ciranda, xote e valsa), compreendendo em uma só letra a dança Ciranda do Norte, com isso aparecendo as seguintes danças, que a completam como um todo:
Ciranda - Seu Manezinho - Carão - Não se fie em mulher - Despedida da Ciranda
A coreografia é feita de acordo com os versos cantados que narram o lazer, o trabalho na agricultura, caça, pesca e outras atividades que se desenvolvem na região. E dançado sempre em círculo.

CHULA MARAJOARA 

É uma dança cultural no ritual afro-brasileira. Seria uma variante das congadas cultivadas no sul do Brasil. Tem uma característica devocional em louvor a São Benedito e Nossa Sr.ª. do Rosário. No Pará, é cultivada principalmente nas regiões onde se instalaram os negros escravos, com mais freqüência em Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, por isso também conhecida com a denominação de Chula Marajoara. É apresentada durante  o ano todo, principalmente nas épocas de festejos, como na quadra junina e comemoração a São Benedito e Nossa Sr.ª do Rosário. Dança exclusivamente feminina, com movimentos coreográficos de acordo com os versos cantados. Assim como na Dança da Angola é dançada em pares e número ilimitado de participantes.

LUNDÚ MARAJOARA 

O Lundu, é uma dança de origem africana e provoca muito interesse pela desenvoltura de seus movimentos. O tema é o convite feito pelo homem à mulher para um encontro sexual. A dança desenvolve-se, a princípio, com a recusa da mulher mas, ante a insistência do seu companheiro, ela acaba por ceder. A movimentação é tão carregada de sensualismo e lubricidade que a Corte e o próprio Vaticano, no século retrasado, chegaram a proibir a dança em território pátrio. Depois, tudo foi caindo no esquecimento, e o lundu voltou a ser praticado às escondidas, respeitando as tradições, os gestos, os volteios e maneios, em três estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e no Pará, mais precisamente na Ilha do Marajó. No solo marajoara, em Soure, é interessante registrar o trabalho do grupo de dança existente na Fazenda "Tapera", de propriedade de D. Dita Acatauassu Nunes: a dança é apresentada sempre para turistas, para os simples curiosos e para os estudiosos das danças folclóricas. O Lundú é, veramente, uma dança belíssima e, sem sombra de dúvidas, umas das mais interessantes do nosso folclore. A Coreografia, no seu todo, é constituída de movimentos lúbricos e, em determinados momentos, os homens nos seus volteios, imitam os machos rodeando uma fêmea no cio. As mulheres recuam e ignoram os seus pretendentes mas, devido a grande insistência do mesmo terminam por aceitar o convite. Neste momento da dança ambos se deixam levar pela vontade de realizarem o ato sexual quando então os casais realizam a UMBIGADA, movimento este representando o aceite da mesma e saem, entre requebros sensuais, seguidas por seus companheiros.


BATUQUE AMAZÔNICO 

O batuque é de origem Africana, manifestação que se ramificou do candomblé Africano. Foi implantado na nossa região na era colonial da mesma forma como o foi nas demais províncias e regiões Brasileiras. Batuque é a denominação genérica dada pelos portugueses para toda e qualquer dança de negros da África ou qualquer dança de tambor de caráter religioso ou não. No Pará e no Amazonas é a denominação comum para os cultos Afro-Brasileiros. O Batuque Amazônico é uma homenagem prestada a uma entidade encantada, a cabocla JUREMA, a qual, segundo as lendas, mora um uma cidade que fica no fundo de uma lagoa. De acordo com os umbandistas, essa entidade reina no tempo da lua nova.

DANÇA DO CÔCO 

Seus versos mostram a mistura de expressão típica dos caboclos e dos escravos com uma influência mínima do estilo lusitano. De acordo com a coreógrafa Nazaré Azevedo, a dança do Coco, não tem local exato de onde se originou, pois era dançada em vários municípios do estado e em outros estados também, tem como figura central um coco, sendo encontrada em quase todos os lugares do Pará, do Amazonas e do Brasil, principalmente naqueles onde há praias.

MARUJADA DE BRAGANÇA 

A festividade nasceu de uma autorização dada a 14 escravos devotos de São Benedito, que assinaram um compromisso e fundaram a Irmandade da Marujada, em 1798, no município de Bragança do Pará. Neste ato, os senhores compreenderam aos escravos o direito de divertir-se, direito à sua devoção, do santo de sua cor,dançar a seu modo, rezar dançando etc...A marujada não tem raça, não tem cor, se não a bronzeada do Paraense, embora entre marujas e marujos se encontrem pessoas de olhos tão azuis quanto o céu. A festa de cunho folclórico-religioso, acontece durante vários dias do mês de Dezembro, começando com a alvorada festiva, às 6 da manhã do dia 18, onde homens "marujos" e mulheres "marujas", percorrem a cidade imitando o balanço de um barco na água. A Marujada de Bragança é dividida em várias danças, como: Contra Dança, Retumbão, Mazurca, Valsa, Xote Bragantino, Chorado e Roda.

OBALUAIÊ 

O Obaluaiê, como o Batuque Amazônico, é de origem africana, manifestação que se ramificou do candomblé africano. Foi implantado na região Norte na era colonial da mesma forma como o foi nas demais províncias e regiões brasileiras. No Pará e em outros estados é a denominação comum para se homenagear um determinado orixá com cultos afro-brasileiros. O Obaluaiê é uma homenagem prestada a um orixá, "Obaluaiê", o qual, segundo as lendas, é uma divindade das doenças e chagas e simboliza a morte. De acordo com os iorubanos, esse orixá tem seu corpo todo cheio de chagas. O Obaluaiê  se inicia com uma invocação ao orixá que pertence à linha de São Lázaro ou São Roque, com a repetição feita pelo coro, seguindo-se outros temas que invocam a proteção para o grande orixá, e no final todos os 6 orixás que estão em cena fazem reverencias ao orixá homenageado que é o Obaluaiê.